Enfim o despertar da primavera num dia de verão. É tudo tão claro que vem a ser e tornar transparente. Deixou de ser quente, de agredir o corpo e a alma.
Agora ela gosta especialmente de caminhar sem rumo pelas tardes vivas que revelam-se dia após dia. Com um pé na calçada e outro em seus pensamentos acabou descobrindo-se no presente, como há muito tempo ou jamais fizera. Essa descontentação com o agora sempre a resguardou aos velhos tempos, as vezes tão velhos que nem eram dela. E quão amava esses tempos, mas esquecia-se de traze-los e acabava indo embora com eles.
Mas, nesta tarde, especialmente, perdeu-se vendo suas veias pularem num novo ritmo, de repente tão seu quanto jamais tivesse ousado perceber, então encontrou-se. Como se fosse um fio solto num poste de eletricidade que o vento tratou de reconectar.
As pessoas que a rodeavam começaram a achá-la egoísta. Talvez ela tenha deixado de estar presente por fora para descobrir-se internamente. Passou a olhar as coisas com seus velhos novos olhares e agora sente-se mais do que nunca filha do mundo. Sendo assim, prender-se de mais ao instável a incomoda, e como se passasse num túnel escuro foi desativando todas as insistencias de sua mente. Então uma música começou a tocar quase inaudível, mas ela conhecia bem, e agora sussurrava:E nossa história
Não estará
Pelo avesso assim
Sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar
E até lá
Vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora, ahh!
Apenas começamos.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
A virtude em outras mãos
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Que bom, moça. De verdade, que bom. Estava até com saudade da Jessica.
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