Pegadas na areia, desenhos feitos a mão. Do alto das pedras observo o mundo como se pudesse ter algum controle, a paisagem que eu posso acariciar, as pessoas que posso movimentar entre meus dedos.
É estúpidamente indolor minha mente agora, as histórias dissolveram-se junto a corrente de ar que as ondas trazem.
Lembro as lágrimas que caíam feito chuva de meus olhos, tempestades intermináveis, e vejo aqui meu novo abismo, me vejo, onde tudo parece mutável. É o tipo de abismo que quero me jogar, parece atraente levantar vôo e acreditar nos meus braços e pernas, deixar apoiada ao chão minha mortalidade.
Lembro-me das suas palavras saindo quase num sussurro: diga-me agora, antes que escureça.
Diga-me agora. Me diga. Agora. Antes que... escureça.
Tentativas inúteis de 'igualar o placar'.
Tudo passa tão rápido que confunde minha respiração, meu corpo encontra-se finalmente numa sensação que poderia ser interminável, é leve e pesado, e os pensamentos vão caindo.
O impacto é como uma explosão de pequenas migalhas, silenciosas, espalham-se e escondem-se, invisíveis a olho nu, perigosas por colarem em corpos nus. A água lentamente passa por meus olhos e cai, caímos.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Explosão de pequenas migalhas
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