O reflexo embaçado era tão belo, que então constrangedor. O silêncio preenchia o espaço feito um corpo caindo abruptamente na neve. E a fumaça de ar frio tinha voz. Uma voz que tranquilamente chamava pelo nome.Eu estava lá. E já não temia o medo, nem tremia. Deixava-me levar sem cogitar fuga. Foi quando vi aquela pele branca e nua, derretendo feito um cubo de gelo. O som rasgava qualquer resquício de um vento mudo, e congelou meus olhos.O movimento parou. Os olhos estralados derrubavam lágrimas que eu não conseguia ver, mas sentia. A cabeça era leve como um papel voando numa tempestade.Mesmo distante, eu sentia o toque involuntário daquele corpo, como estar vagando no breu de uma cidade sem energia.Não me lembro das nuvens, que certamente uniam-se a um centro escuro. Não lembro se eram árvores, ou um deserto que me envolvia naquele instante. Nem ao menos sei se eu era uma estrutura viva, por não me sentir como tal. Foi quando corri em direção àquele corpo - não havia ar por não haver pulmões. Fui me encharcando daquela cena, mergulhando, e quando abri os braços, descobri – sempre estive lá. Era tão outro quanto eu. A água endurecia meus membros, espalhava meus cabelos e fazia-me um ser dissolvido.Restaram essas gotas de chuva que são meus pensamentos, liberando a água de um corpo afogado que molha tudo enquanto é vida por este lugar.
sábado, 22 de setembro de 2012
Memória Efêmera
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Delito
Saio impune. Desfaleço cada face diante de mim postada, torno-me um corpo vivo e aterrado ao chão, estereotipo a realidade que se cala.Sinto-me como uma pena desprendendo-se da asa em alto voo, e sigo usando mais os olhos do que os sentidos.Faço com que eles dancem em minhas mãos enquanto ouço o soluço do tempo que não passa. Gosto do extremo e inverso, peculiarmente quando os passos não alcançam a coreografia do estado e a carcaça humana ganha outra forma.Saio impune. Somos sós em nós que nos prendem até que pés bambos os soltem.Saio impune. Deleito sobre o delito e recordo, sem culpa, do ser que se move entre o abismo e o abuso.Volto livre. Em voos curtos aprendo jornadas pelas quais percorro sem que se precise de movimento, num tornar mente o que é mito.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
La vita è adesso.
Caro estranho,a quem dedico estas palavras rasas.O Ps. vem antes desta vez:Repare no reflexo da luz na água.Levante-me precavidamente da precariedadeCure-me lentamente da sanidadePulverize delicadamente minha pele dormenteDeslize em meu corpo, dedilhe minha mente.E como quem manda,Lhe peço:Mergulhe.
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