Que as faces não se sobreponham desta vez. Que o vazio entre a causa e o acontecimento os distancie cada vez mais, e que já não nos importe motivos para um sentimento forte – alegria, talvez.É como soltar um barco de papel sobre a água e esperar contar só com o vento, e se vier a virar, não adiantará nem manter os olhos fechados. Porque nós sabemos, o tempo não existe aqui. E só teremos um agora se nunca nos lembrarmos de um antes, e jamais esperarmos de um futuro.Estendo-te minha mão, não para roubá-lo de um teu e trazer-te a um meu, mas, para quem sabe, encontrar um ponto que nos mantenha entre uma coisa e outra. Pois precisamos de um toque de realidade absurda para nos colocarmos frente a frente, e não se trata de um duelo.O caminho que nos trouxe aqui não é feito de flores e amores, mas dos galhos que ficaram daquelas velhas árvores que cultivávamos sem saber. E é com eles que se há de construir uma estrada.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
...
domingo, 13 de maio de 2012
A base do castelo
Meu castelo de areia hoje é feito de concreto, abriga todos os sonhos do mundo, pois alguém deu asas às minhas fantasias, e acreditou comigo que meu mundo inventado era real. Hoje tenho acesso livre para o lado doce da vida, que só as crianças conhecem ...mas é porque alguém segurou minha mão e se fez criança comigo.
Existe uma bela mulher que abriga dentro de si o paraíso, que é tão pura que se Deus quisesse, curaria a humanidade com ela. Eu amo tê-la tão perto, amo vê-la sorrir, amo saber que seu abraço quente me espera depois de longos dias frios que a vida coloca. Sua voz foi o primeiro som que ouvi, e desde então decidi que queria existir, mesmo que a vida fosse um tanto complicada. Essa é minha mãe. Essa é quem me faz acreditar no amor.
domingo, 6 de maio de 2012
Não importa-me com quem andas, diga-me quem és.
Qual é tua idade, meu caro? Ouvi dizer que era ela quem mostraria-me quem tu és. Por que se escondes de mim? Mostre-me tua jovem face que já perdeu-se da inocencia e ainda assim és doce. Buscar-te-ia onde a vida é falha e os sorrisos não brincam no acaso, se me permitisse adentrar teu vago espaço tumultuado, acender as luzes e levar meu ar às tuas janelas fechadas.
Ouvi um pobre delirar nas ruas de uma cidade adormecida. Dizia ele possuir um cavalo quando empurrava um carrinho de mão cheio de livros.
Pobre criança, durma antes que vejam que teu cavalo pode voar. Os segredos são feitos para que não sejam roubados. Derrame teu choro em meu leito, pertença-me por um instante para que eu lhe mostre por onde desistirá de sair.
Estamos no centro da ciranda, a roda faz cantar e tua luz não me mostra, só aquece.
O palhaço saltou em minha direção , mas a donzela já havia se apaixonado. Amor jovem, traz o sumo da laranja entre os dentes. Diga-me o porque me trazes a esta estrada onde quero saltar e os pés ficam presos ao chão, o porque desse grude que se faz geléia, cimento, massa de pão. Desejo saltar agora, mas preciso que limpe-se dessa sujeira e descubra que são os teus pés, não os meus. Fui livre e voltei para ver uma mão estendida.
Óh, não cresça criança, não sufoque-se do tempo, não me queira quando grande, nossa altura atrapalha o pensar, que nos fazia imensos.
Subo agora, no telhado. Deixo minhas asas na grama para ver o mundo d'outro jeito. Não menos meu, apenas onde eu possa tentar alcançar-lhes.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Depoimento de alguém perdido
Dezessete cacos cravados, alguém nasceu com o rabinho totalmente oposto à lua, certo?
Desmemoriadamente tapou os olhos e me sorriu como se acreditasse na felicidade. Era um dia de sol e uma cena típica de filmes modernos. Ela rodava sua saia e me olhava, inconscientemente achava que pertencia a este lugar.
Como bom sujeito que sou, fui fazer-lhe as honras da casa. Levei-a ao mundo que digo ser meu para evitar conflitos. Andamos por onde as pessoas fingem sofrimento para motivar a vida, ela ficara fascinada e me pedira para mostrar-lhe mais.
Não é de meu costume dar tal liberdade às pessoas, mas já era tarde para pensar, eu já havia aberto a porta, ela subia as escadas. Seus olhos vazavam feito piscina furada quando depararam-se com a vista, e eu só quis fugir. Talvez por não saber nadar, talvez por nunca ter visto alguém ali, ou era só o medo que finalmente me alcançara sem cumprimento, mostrando-me alguém soltar o que havia dentro de mim.
Corri. Vim parar neste deserto cheio de corpos. É a primeira vez que noto que eles falam mesmo sem pulsação. Depois de sentir-me morto por tanto tempo, sinto que sou o único com vida neste lugar. Está amanhecendo, perdi as contas de que dia ou horas são, minha ultima esperança é ouvir um coração batendo.
Assinar:
Comentários (Atom)
