Era delicado afugentar-se em cores para distrair os olhares, qualquer sentimento ruim se escondia como num quadro, e as pequenas bochechas rosadas se esticavam, crianças em meio ao tumulto das horas em que transitei entre uns e outros ônibus. Descobri anestesia nas cores, viciei-me na sensação de despertar a luz do ser humano e conduzi-lo ao lúdico mundo de vidas que jorram dentro de mim. Hoje sou camaleoa que se veste de canário e sai voar bem alto até derrubar as penas e escolher outro elemento. Hoje sou luz que transpassa o medo de viver a ingenuidade desse mundo de dor, escorro até não sobrar uma gota e me coloco pra secar e crescer ao sol.
Desvendei o mistério do coração, espetei o meu em espinhos para descobrir que é só uma forma romântica de se dizer que o cérebro sente, e tentei confundir o cérebro de outros que acreditavam no coração para me livrar de sentimentos incompreendidos, mas a crença é quente e mais forte que a frieza... Descobri que não posso ser livre se deter o outro. Congelei-me na frieza e derreti, desfiz preceitos letais, e escolho agora o vento para me levar por onde a arte anda, para purificar, expandir, esquecer dores e ver flores no caminho.
domingo, 20 de outubro de 2013
Ser corr-e-dor
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