Sabe-se lá quando foi que aconteceu. Mas aconteceu. Estavamos com a vida estagnada e de repente veio o tumulto. Ninguém imaginaria que a atitude viria logo dela, que parecia mais parada que a própria vida.
Garota charmosa, menina de tudo. Crescia o olho quando via borboletas, seu grande fascínio. Tinha uma coleção delas, nas mais distintas cores. As prendia em potes de plástico e as via morrer horas depois. Nunca sabia o porquê.
Um dia disseram que ela seria assim a vida toda, e sua resposta veio com um de seus mais lindos sorrisos, como quem está satisfeito com o que é.
Então apareceu um garoto, alto e torto. Ele dizia coisas das quais ela jamais esqueceria. Sussurrava todas as verdades ocultas no meio da noite, quando ela dormia só com a metade do corpo repousada na cama, enquanto se espalhava por sua vida, a vida das outras pessoas e os asfaltos e pedras por onde tinha passado durante o dia.
Eles tinham uma ligação muito forte, e a menina passara a ouvir apenas a voz dele, permitindo-se esquecer sua própria.
Veio um dia de sol daqueles que transmite alegria e parece que o mundo finalmente vai andar, foi quando ela soube da morte dele. E o mundo começou a fazer barulho novamente. Era insuportável a dor de sentir-se num lugar tão cheio de som e de vida. Tentou se matar cinco vezes, não morria. Não percebia que já estava morta, e que mortos não morrem. Sua única opção era viver.
E quero que me provem que mortos não vivem.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Sempre vem um dia de sol
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