terça-feira, 31 de janeiro de 2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
Derreta-me
Sinto derramar promessas por ralos cheios de cabelo dos mais sujos banheiros, sinto assim como quem vê passar o tempo. A gente se olha o tempo todo mas não se vê, não se dá a mínima. Vejo no rosto de cada ser andande um 'procura-se' novo a cada vírgula que chamamos de esquina. Mas nunca sabemos a procura de que ou quem realmente estamos, só procuramos. A procura vem sempre acompanhada do pensamento de que não se vai encontrar, meio que como motivação, porque reza a lenda que se voce encontra rompem-se a graça e a pedra de gelo que desliza-se na barriga gritando "derreta-me". Se voce encontra resolve por fim que não era o que buscava, e por mais que chegue ao seu dito esgotamento, vai se forçar a continuar a procurar até o último inspirar. Da crença de um ao outro sempre surge um sinal, espírito, salvador, senhor, escrito, livro, música, pai de santo, amigo imaginário ou força sobrenatural que puxa e sacode pro lado dos que desistem desse círculo perseguidor, insatisfeito e insistente. Desistem por si só, pelos que caminham em linha reta, e por vezes desistem mesmo. Penso que as vezes quem desiste como que em pedido pra estrela cadente pode se juntar a um outro na mesma iniciativa. Pra quem acredita em alma gemea, metade da laranja ou melão, limão seja lá que fruta for seria descobrir que se consegue isso fazendo, ou encontrando um bom amigo espíritual. Mas tomar consciência pra quê, é facil bater a cabeça no muro, difícil é pegar o muro e bater na própria cabeça por vontade própria, se é que isso faz algum sentido. Se é que algo aqui faça sentido. Agora vou procurar um chá e alguém interessante pra conversar.
Quem não ouve vê loucura, quem ouve vê o que quiser
- Tá ouvindo?
- Ouvindo o que?
- Ouvindo. Tá ou não tá?
- Como é que eu vou saber se voce não me disser o que?
- Só quero saber se voce tá ouvindo.
- Tá, não to ouvindo nada, não dá pra entender voce!
Sai.
"Começa do coração batendo e dando ritmo a conversa do homem que fala ao celular passando de carro vagarosamente com um motor barulhento, a goteira que pinga continuamente direto do telhado da casa enquanto os trovões anunciam chuva e mais um infinito de sons se misturando. E aí, vem me dizer que não tá ouvindo n-a-d-a? Talvez seja esse o problema, até onde se permite ouvir. Se quer saber, eu, entendo bem, e vou procurar alguém que entenda também".
Amor a 2 inteiros ou uma meia pessoa
Eu via esse menino faíscar com os olhos quando num pequeno gesto tinha tudo, já no segundo seguinte ele afundava um pouco mais. Ele amava. E quão bonita é uma pessoa que ama. Mas o menino amava tanto aquela garota, que esqueceu de se amar. Criou uma bóia e encheu com todo o seu amor, ela ficou forte o suficiente pra não deixar que ele virasse. Era tão seguro estar ali que de nada importava aquilo que as pessoas diziam sobre perder o ar. Então ele foi confiante em cada segundo, passando tanto tempo, que, sem perceber, o lago foi secando, e chegou uma hora em que ele estava parado com sua bóia intacta no meio do vazio, não sobrara uma gota se quer.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Ao som de Lenine
"Vez-em-quando vem esse ar de alegria misturado com uma esperança boa" - Era o que ele me dizia todos os dias, sem deixar passar um. Eu queria mesmo era esse combustível todo pra mim, algo que fosse grande o suficiente pra transbordar, passando bem longe dos apesares todos. A gente ouvia lenine e passava longas horas conversando sobre assuntos de minutos, e eu adorava ouvir seus passos silenciosos se aproximando, como quem ia dar um belo susto mas nunca conseguia, então, sempre na mesma sincronia, entortava o pescoço olhando pra baixo como se visse palavras nos próprios pés e começava a falar sem sentir.
Hoje não sei que som ele ouve, do que ocupa os dias e se tem conversas prolongadas com alguém que tenha um pouco mais de senso de humor e menos sensibilidade que eu. Ou talvez ele só caminhe, e faça coisas grandes e pequenas, de proporções que eu jamais imaginaria. Seja como for, continua a olhar tudo com seus olhos negros, que não o deixariam esquecer aquela música que nos dizia tanto.
Quem me dera
Ai, quem me dera terminasse a espera
Retornasse o canto simples e sem fim
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim
Ai, quem me dera ver morrer a fera
Ver nascer o anjo, ver brotar a flor
Ai, quem me dera uma manhã feliz
Ai, quem me dera uma estação de amor
Ah, se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem ser casais
Ai, quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afim
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim
Ai, quem me dera ouvir o nunca-mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E, finda a espera, ouvir na primavera
Alguém chamar por mim
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Amor guardado em forno pré-aquecido
Mais presentes são aqueles que dormem neste mundo e vivem em meu coração, ou aqueles que vivem em ambos lugares e descruzam nossos caminhos o tempo todo?
Já senti a garganta doer de tanta saudade, e as lágrimas transbordarem por excesso de bagagem interna.
Hoje saudo vossas partidas, abraço os momentos que me foram dados de presente agarrando-os com todas as forças para que fiquem comigo até meus últimos segundos nesta vida.
E quão aquecida é a presença de voces
em minhas manhãs cheias, noites vazias,
e vice-versa.
Até deixei de me sentir tão só.
Desequilíbrio mal encarado
A gente andava junto, comia junto, falava junto, e tudo o mais que se pode imaginar. A gente só não pensava junto, nem um tiquinho, nem com todo esforço. Eu achava que era um problema de quilometro e meio, ele achava que era problema de centímetro, aí a gente começou a andar diferente, comer diferente, falar diferente e se encontrou duas esquinas depois com pessoas completamente diferentes.
loucura ou esperança de mais
As vezes penso que com a pinça posso tirar toda a parte podre das pessoas ...até a minha
"mas não é no cérebro que acho que tenho o câncer, doutor, é na alma, e isso não aparece em check-up algum"
Vou trocar de cama
Não há nada que passe por minha vida sem que seja remoído na cama no final de noites vazias. Eu consigo (re)moer as coisas por mais moídas que elas já estejam, e seus pedaços vão se juntando sobre meu colchão, me fazendo virar de um lado pro outro até perder o meu lugar. Voce não vem pra minha cama buscar os pedaços que te pertencem, mas acha que vem pra minha vida trazer mais um pouco pro meu pouco espaço.
Vou trocar de cama, e antes de encher, troco denovo.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
A morte da falsa amada
Ela sorria e dizia que me amava, que eu extraia tudo do seu ser. Me fazia acreditar que era possível achar uma ponte entre o lado esquerdo e o direito do cerébro, e me fazia transitar por ela o tempo todo. Mas vieram os dias de chuva, os de sol, depois só vazio. Eu a procurava em todas as esquinas e avenidas, debaixo das escadas e atrás da carcaça das pessoas. Ela sumiu sem deixar a menor pista ou vestígio. Dia desses encontrei uma bela garota que sorria como ela, mas os olhos eram opacos de mais, frios de mais, não quentes como os dela. Tentei tocá-la e minha mão transpassou, foi como sentir um buraco sendo cavado dos pés à garganta, e um pensamento gritava "aqui jaz a imagem".
Voltei a caminhar.
È un cuore di metallo senza l'anima
Nel freddo del mattino grigio di città
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A scuola il banco à vuoto, marco è dentro me
É dolce il suo respiro fra i pensieri miei
Distanze enormi sembrano dividerci Ma il cuore batte forte dentro me
Chissà se tu mi penserai
Se con i tuoi non parli mai
Se ti nascondi come me
Sfuggi gli sguardi e te ne stai
Rinchiuso in camera e non vuoi mangiare
Stringi forte a te il cuscino
Piangi e non lo sai quanto altro male ti farà
La solitudine
(...) Ha detto "un giorno tu mi capirai"
.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Um conto daqueles engavetados faz tempo
Se eu não pertencesse a tal silencio não ouviria esses passos mornos se aproximando. Os mesmos passos mornos, dos mesmos pés que eu beijava enquanto chovia. Deixava marcas pelo carpete de madeira, e eu seguia, sentindo as paredes e esperando ver a silhueta de seu corpo em qualquer sombra que não fosse espelho ou ilusão. O cheiro se espalhava pela casa como gelo em água quente, e eu já me rastejava atrás da menor das partes que pudesse ser sua. Abri as portas e lá fora chovia tanto quanto aquele dia meu e seu. Tudo estava de volta em seu lugar, até a lona que caía do telhado deixando espaço livre de qualquer gota d'água e nos dava calafrios por sentir frio ou qualquer outra coisa. E era lá que voce estava.Eu andava pela chuva, a grama molhada fazia eu me sentir vivo outra vez, e como era boa essa sensação, ser vivo. Mas meus passos não te alcançavam, por mais que eu andasse, por mais que eu corresse, voce estava lá e não me via. Meus pés se desfizeram e eu corria de joelhos, e assim meu corpo inteiro já se misturava com a água da chuva, mas eu me movimentava, me forçava a te encontrar, pois eu te via, corri até a última gota.Um clarão de cegar os olhos suspendeu aquele momento, então eu estava em pé, na cama, escondido feito cabana com as cobertas, as janelas se escancaravam quase gritando pra que eu fosse sentir o sol. Era tão quente e seco, sem qualquer sinal de chuva, sem qualquer sinal de voce.
'Se Deus quiser, um dia acabo voando'
- Voce tem um cigarro?
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
- Voce tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu.
(Silêncio)
- O tempo não existe.
- O tempo existe, sim, e devora.
porque não é preciso
O DIA QUE JUPITER ENCONTROU SATURNO - caio fernandoQue seja agora!
( a verdade é que a gente cansa o tempo todo) Eu já ia começar com esse velho sujo hábito de dizer que cansei, mas
sempre chego a esse ponto, sempre me encontro escorregando da parede ao
chão. De repente o que cansa é esperar de um futuro que será agora e
nos leva sempre ao mesmo círculo cansativo. Já que decidi prender bem
os pés no chão e deixar a alma voar, que seja agora! A vida tem um jeito
torto e certo de fazer parecer que nada caminha, que as histórias se
repetem e que nada nunca vai acontecer. (enquanto isso ela escorre por
entre nossos dedos como água de chuva)
Como o nascimento de uma flor no asfalto cinza
Te escrevo menina, porque te devo. Não dever em pesar, não me entenda mal. Te devo um sol numa caixinha, que só voce possa abrir, só voce possa entrar. Se eu falto é pro meu bem, e pra quem estiver por perto daqui há algum tempo. Mas olha, voce não falta aqui. Nem por um segundozinho se quer. Quem dirá uma vida. Não é porque a gente não dá corda na bailarina que ela sai da caixinha de música, não é? Se faça em luz, movimento, e quando necessário, som. Se faça amável como sempre. E se faça em lembrar, nunca esquecer, seja o que for.... tudo é válido. Só não é válido criar situações imaginárias quando as mesmas não te fazem bem (com ar de riso mas é sério). Se cuida daí que eu te cuido daqui. Até mais ver ...onde o vento tocar.
Eu deixaria num bilhetinho amarelo: a gente pode chegar onde a gente q-u-i-s-e-r.
Dois corpos na escuridão de um lugar abandonado, seus pés seguiam onde a claridade da lanterna alcançava. Uma porta de madeira e chegaram no terraço. A vista era quase mortal, as luzes da cidade pareciam uma chuva de estrelas, todas caindo na mesma direção - eles. O ar, parado e fresco, saia quente por suas bocas. Procuravam um ao outro por trás da fumaça, os rostos próximos se refletiam como espelho, as mesmas expressões, os mesmos pensamentos. Qualquer palavra ou ação poderia mudar totalmente o roteiro daquelas duas vidas colocadas pelo vento logo ali, onde a distância do mundo era inebriante.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Apressa-te
Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
o lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo...
Cecília Meirelesque as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
o lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo...
Respirar
Cheiro de fumaça, desgraça no ar. Não adianta, voce nunca tropeça sozinho, sempre tem de ter alguém por perto. Me sinto um poço com fundo, tão raso, rente ao chão. E é por cair que agora observo minhas mãos apoiando um fardo. É isso. Um fardo. As veias vão ligando cada peça e não sei qual se fere mais, coração ou cérebro. Um pulsa, outro reage. Reage. É chegada a hora de reagir. Re-agir. Agir. Levantar e correr, até o ar acabar. Esse é o erro, correr. Porque o ar acaba. Só que a gente só percebe depois, quando está sem folego e tem um abismo bem a frente. Aí voce para, põe as mãos nos joelhos e olha pra baixo, e continua errando. O bom é quando voce se joga e cai na realidade, levanta e sai andando. Cair em pé e insistir em correr é besteira, mas vá. Dizer isso a alguém. Disse isso pra mim, mas não acreditei. Corri mais rápido ainda, mais persistente, mais confiante, na queda fiz força pra que as pernas continuassem a correr. Mas, meu bem, o ar é mais forte. Por que custa tanto perceber? Respira, conta até tres, ou cento e vinte. Vá dar uma volta e tentar convencer esse apressado que voce gosta mesmo é de ser andante. De observar, sentir, cheirar. Talvez seja isso que a vida ensina, a andar. Tão simples, mas a gente pensa que aprendeu logo no começo da vida. A verdade é que a gente pensa muitoCúpula
Vou dizer na verdade que sei, sei e insisto. Sei e empurro ao lado que tem menos espaço. As vezes penso que basta o jeito de empurrar, apoiar, ou, quem sabe, segurar. Coloco numa cúpula tudo que tenho, e entrego. Só que aí, vem alguém, que ja faz parte do espaço, e resolve pegar mais um pouco. A cúpula se desfaz em milhares de pontinhos de luz jogados aos meus pés - cacos. Penso trinta e duas vezes antes de pegar um por um e costurar com fios dos meus cabelos e linhas das minhas roupas. A idéia é se encaixar ao novo menor espaço. Encaixa, quem disse que não? Só que a tal pessoa espaçosa que não quer o espaço inteiro faz questão de ocupar o suficiente pra não caber mais ninguém. Ou ela faz tanta questão, ou o espaço é que a prende. Aí me pego de joelhos no escuro gritando tão alto quanto ninguém pode ouvir - Por que? Talvez não haja resposta, tampouco o que fazer, me aquieto e durmo, até começar e repetir tudo outra vez até que hora ou outra eu resolva pisar nos cacos para que diminuam e se espalhem até que o vento os sopre pra bem longe um do outro em algum lugar dentro de mim.
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