domingo, 29 de abril de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
XII. Anaís
"...até que todos brotem, até enfim te concluir primário, tosco, terrês, nunca capaz de compreender que além desta nítida dor cravada que por muitas vezes beirou a morte, porque te queria como se quer, vadia, humanamente, a solução de Deus no Outro, deixavas também um encontro que não aconteceu, que talvez nada esclareça, porque tudo é de vidro, porque brotou da confusão apaixonada que despertasse em mim, que te julguei esclarecendo a vida, peça final de um quebra-cabeça, peça inicial de outro, de um excesso de líquidos e desejos para sempre incompletos, mas que ficará, ainda que ninguém entenda, esses ramos, esses castelos, como não ficaste, porque eras só mensagem de algo que ainda não sei, isso sei agora, o que não saberei, passageiro como o passo de um bailarino em seu curto voo, porque minha fantasia ultrapassa tua dança."
Décimo segundo fragmento
da décima terceira voz
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Nuvem de poeira
Pisando levemente,
sentindo a pele envelhecer e paralisar.
Deixamos rastros dessas noites para a luz,
e o desgosto faz companhia
enquanto o ar fino cresce em nossas mãos.
O mundo colide e os ventos não me fazem flutuar,
esconderei o lamento
por só dançarmos juntos sobre nuvens de poeira,
em sonhos que logo se desfazem.
Vejo-te cobrir-se em penas
que têm vestido o que deixa dentro de seu peito,
sem descansar.
Peço-te que escreva-me uma simples poesia
no branco de teus olhos,
encontre-me ao mergulhar em meus vazios
e preencha-os com os teus.
Há uma única estrada
capaz de trazer-te ao meu abrigo,
esconde-se onde pessoas deveriam ser árvores.
Tenho adormecido numa rede de fantasias
à esperar-te.
Minha paz intercala-se a respiração acelerada,
meu corpo já quase não mente.
Estenda tuas mãos e pule do alto
se o desejo for voar,
então nos encontraremos
onde só alcançamos com os olhos.
Baseado em contos que não foram contados
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A tela das interrogações
Os vaga-lumes incendeiam a água a cercar-nos, será que mais alguém os vê?
É distante meu mundo agora, mas há uma ponte, sempre há. Os mapas foram entregues, sinto as mãos que deslizam-se tentando decifrar-lhes, correm junto ao sangue em minhas veias.
Lutamos desesperadamente para agir sem propósito, eu corpo, eu mente. Desviei das perguntas, mas elas não se afogam onde já não podem nadar, perdi os remos. Será impossível? Está acontecendo ou é mais um fruto de minha árvore indesejada?
Como planta-se a verdade? Como planta-se a verdade do desconhecido? Como planta-se o plural singularmente?
Enquanto tropeço em sentidos a voz da indireta diz-me diretamente para enfrentar os medos com doçura. Queria dizer-lhe e aos sete ventos que o medo deve ter medo de mim agora, pois não o senti. Busquei-o para motivar meu estado, sem encontrar. E alguém pergunta 'na ausência do medo, quem somos nós?', as respostas imendam-se em mais interrogações... Clarisse, a menina cega, disse às paredes "por que me surpreendes com meus segredos sem contar-me se pode senti-los também?"
O sol mais uma vez nasce no leste, enquanto velado no oeste. Cinquenta e nove dias depois a borboleta faz pose para seu último movimento. Posso ouvi-los, com a intensidade de mãos suadas deslizando sobre a mesa. Ouço a cabeça repousando no travesseiro com pensamentos silenciosos cantando a noite para buscar o sono.
Será impossível? Está acontecendo ou é mais um fruto de minha árvore indesejada?
E denovo. E denovo.
{Wandinha conhecia o medo}
terça-feira, 24 de abril de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Como flor de lótus
Um confronto sem grandes surpresas dessa vez. Despiu-me a face e num golpe de infortúnio alcançamos a compreensão. Os movimentos são sussurados aos meus ouvidos alcançando vazios que eu desconhecia.
Permito-me então, a lucidez transpassada, vagamente anormal, que me dá braços para alcançar-te.
Teus olhos me possuem há tempos. Tempos esses que guardam nossa solidão, mesmo quando rarefeita. Nossos corpos com peso sustentado imploram leveza para sua unção.
De repente seja mais um de meus delírios mal alimentados, que vivem gritando de fome. De repente eu ensurdeça e emudeça de uma só vez, por adentrar o estreito túnel que olhadelas invasoras me oferecem.
Ou, num passo adiantado, tropeço em algo menos real e me esqueço completamente do quanto me inebriavam teus olhos tão pecavelmente puros.
Faremos segredo de nossos momentos, irei bebe-los como inspiração.
Eu diria, mergulhe comigo nessa música, sinta o ar fresco que sai quente por minha boca agora. Mas não compartilhamos nosso segredo, e talvez nem devemos faze-lo.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Pra que fique ou me leve
Escrevo-te numa tentativa de desafogar-me.
Quero dizer-te que tua força me faz reinar,
e lhe daria meu corpo para ve-lo inteiro denovo
- saberia usá-lo melhor que eu.
Te amo com tudo que tenho,
Te amo com tudo que tenho,
mais ainda com o que não tenho.
Te faço luz e grandeza diante de meus olhos,
te vejo para me ver.
Não posso existir sem voce, jamais.
Quero estar ao seu lado antes de dormir e quando acordar,
Quero estar ao seu lado antes de dormir e quando acordar,
todos os dias de um sempre
que realmente dure tudo que o sempre abriga.
Não me abandone.
Não me abandone.
Não me abandone.
Te amo.
Anche quando ci buttiamo via /Per rabbia o per vigliaccheria /Per un amore inconsolabile /Anche quando in casa è el posto più invisibile /E piangi e non lo sai che cosa vuoi /
Credi c'è una forza in noi amore mio /Pio forte dello scintillio /Di questo mondo pazzo e inutile /È più forte di una morte incomprensibile / E di questa nostalgia che non ci lascia Mai. /
Quando toccherai il fondo con le dita /A um tratto sentirai la forza della vita /Che ti transcinerà con se /Amore non lo sai /Vedrai una via d'uscita c'è. /
Anche quando mangi per dolore /E nel silenzio senti il cuore /Come in rumore insopportabile /E non vuoi più alzarti e il mondo è irraggiungibile /E anche quando la speranza oramai non basterà. / Cè una volontà che questa morte sfida /È la nostra dignità la forza della vita /Che non si chiede mai cos'è l'eternità /Anche se c'è chi la offende /O chi le vende l'aldilà. /
Quando sentirai che afferra le tue dita /La riconoscerai la forza della vita /Che ti transcinerà con se /Non lasciarti andare mai /Non lasciarti senza te /
Anche dentro alle prigioni / Della nostra ipocrisia /Anche in fondo agli ospedali /Nella nuova malattia /C'è una forza che ti guarda e che riconoscerai /È la forza più testarda che c'è in noi /Che sogna e non si arrende mai /
È la volontà più fragile e infinita /La nostra dignità /{Amore mio} è la forza della vita /
Che non si chiede mai /Cos'è l'eternità /Ma che lotta tutti i giorni insieme a noi /Finchè non finirá /
Quando sentirai {La forza è dentro noi} /che afferra le tue dita {Amore mio prima o poi} /La riconoscerai {La sentirai} /La forza della vita /
Che ti transcinerà con se /Che sussurra intenerita:"Guarda ancora quanta vita c'è!" /
Renato Russo - La Forza Della Vita (traduçao)
sábado, 14 de abril de 2012
Vagando entre desconhecidos
Alcanço-lhes a história sem o menor esforço, seus olhos mostram medo, fogem dos meus.
Alguém parou para encarar-me, abraçou-me sem meus braços, desvendou o mistério da aparente loucura sem causa.
Meu silêncio aguçou minha visão, senti paredes e corpos com simples dedilhados, conduzi minha imaginação sem controle algum.
E nossas valsas dançadas no escuro foram vistas por todos que com outros olhos viam.
Estar ausente da realidade é como anestesiar a mente, o refúgio finito para o coração embolorado.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Se soubesse nadar...
És um peixe urbano, se contaminando com a poeira que toda essa gente deixa no ar. Diz-se encantado por aprender a viver fora da tua água, mas cruza com olhares derramando pena em todo lugar.
Quero dizer-te, meu caro nadador de lagoas rasas, que teu rumo é outro, e, se continuares buscando reflexos de si mesmo, vai encontrá-lo quatro vezes, em paredes de aquário. A não ser que antes morra exposto ao sol, com escamas e nadadeiras dissolvidas em terra seca.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Retrato pintado com a solução para a tristeza
Inundemos a Terra esta noite!
Embriaguemos as pessoas para que concordem
E compartilhem achando graça em tudo
Os mais tristes seres
Morrendo felizes com a certeza de não haver um amanhã
Veremo-nos morrer sendo o que não nos permitimos há séculos
Não haverá mais espaço para a pergunta calada em nossas gargantas
Para onde vamos?
Estaremos todos no mesmo tempo!
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