Art.
1º
Referente
à própria condenação a vida, onde o maior crime cometido foi um sentir
ensandecido.
Declara-se
que a visão que se têm é a de fora, que corresponde adentro ao mundo, onde não
se culpa a desculpa.
Carta ou Tratado (de tratar)
Entrego-me.
Permito que me faça em uso de tua lei, que me leve ao acordo entre o que quero
e o que farei.
O
processo abstém-me a uma fração de frase enclausurada, onde se ressalta que seremos
livres e súditos do tempo. A contradição embriagou-me de maneira tão impulsiva
ao desejo, que repulsivamente os corpos ocos e sujos de um sangue pisado esquivaram-se
– exceto um, que pulsava além do plausível. Era este teu corpo íngreme e
dolosamente acessível, contraditório, inefável, que requer enquanto crime que
eu me condene a criar estórias para contar-lhe como lhe roubei para minha vida
sem que nosso destino caminhe à uma prisão. Este que se fez personagem concreto
antes mesmo de deixar de ser o abstrato e quimérico protagonista fantasma de
meus contos.
Requeiro a pena mínima de centenas de meus séculos ao teu lado. Mesmo que venhamos a ser
galhos ou frutos – desde que haja sombra que nos desenhe, água na boca que nos
deguste e devore - e voltemos, tal como o talo e a folha, ou as patas de uma
aranha, ou, até mesmo, a silenciosa escuridão. Ofereço-me como de teu domínio,
desde que por meio desta (escrito em minha testa) estejamos ao mesmo equilíbrio
até que o mesmo não esteja em haver. Que todo som que emitas daí já tenha sido
ecoado do aqui que vier a me pertencer. E que jamais nos esqueçamos da pele
quando a memória vir a falhar, quando os graus de óculos velhos já não
bastarem para enxergar-nos um ao outro. E quando o sol já não lembrar o caminho
de volta, estaremos aqui. Não me importa como.
Estendo
meus braços, lave-me e leve-me em tua leveza.
Processo
de requisição d’uma esperançosa dama que possui de todas as terras a que vai
além da Terra.
1800 e bolinha
Depois do preguiçoso pensar humano