sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Estradas cruzadas

Empalidecido sorria. Sua voz jazia rouca pelos cantos da casa, morrera sem que ninguém houvesse percebido. Por escolha olhava seus últimos dias sozinho entre cobertas e escassos pensamentos. A doença carnal quase não doía fronte àquela que havia consumido sua alma, logo desistiu dos remédios. Seu organismo rejeitava qualquer combustível que viesse por comida, mantinha-se com água de coco. A depressão viera deitar-se em sua cama e fazer-lhe companhia, para que dormissem juntos neste mundo, e finda espera, houvesse um nunca mais. Ele não tivera medo, optou viver mesmo quando estava sujeito a morrer por isso, e agora estava com meio pé no mundo e todo o corpo flutuante. As palavras que saíam de sua boca negavam tudo, dizer seria tornar verdade e que estivesse morto a viver a verdade. Na véspera bebera cinco dias sem parar, uma prévia boas-vindas à partida. Então, acordou um dia pensando na letra de uma nova música, era feita pra alguém em especial, alguém que acabara de nascer e viveria anos após sua partida, terminada a música ele procurava algum lugar para escreve-la, então a metade de seu pé também se soltou e seu corpo todo estava imerso. Deitado na grama de um lugar desconhecido sussurrava aquela letra, colocando aquela criança para dormir e acordar todos os dias sentindo as palavras que não foram ditas mas ela ouvira.

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