Os conheci a menos de duas semanas atrás, quando cruzaram os olhares vazios numa daquelas noites solitárias. Enquanto eu os observava, tinha a sensação de que eram como um papel e uma caneta, e ela sabia bem a magia que poderia fazer com essas duas coisas. Escutavam suas vozes paralelas mas nunca conversavam diretamente. Então, sem hesitar, sua mente falou mais alto e ele a chamava para perto, quase sem palavras ditas. Aquela garota tinha uma visão clara e sem nuvens novamente, sentia-se feliz.
Soube que ela gostava de colecionar pessoas em extinção, e caía em seu abismo interior nos tempos em que não encontrava ninguém. Nos mais simples jeitos diferentes ela encontrava a beleza.O menino dos olhos de vidro, que parecia viver num mundo desenhado, a impressionava por ter passado despercebido por tanto tempo. Ele só queria dizer que achava graça no seu jeito torto e solitário de passar os dias, e quase sem querer ela temia as palavras que estavam adormecidas e foram escritas logo por alguém que não fazia parte da história.Encontraram-se numa dessas esquinas que a vida cria no meio de uma rua sem movimento, e agora posso ouvir seus corações palpitarem junto com os ponteiros que as seis horas dirão se voltarão a ver as horas passarem no mesmo relógio.
"E fica tão difícil
De ir embora
E às vezes escondido
A gente chora
E chora mesmo sem saber porque"
De ir embora
E às vezes escondido
A gente chora
E chora mesmo sem saber porque"
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