Alto, magro
e deselegantemente curvado para a esquerda, deslizava os pés, tão silencioso,
que parecia mover-se em areia. Vestido em seu esporte fino – aparentemente chutar
pessoas – divertia-se com a ciranda
de olhares tanto medrosos e tão pouco constrangidos que lhe cercava.
Fantasiava-se
de um vilão malvado e solitário, daqueles que vive num castelo sombrio e cheio
de ratos e que todos sabem que não passa de um pobre coitado.
O analista
tinha os bolsos rasgados de tanto carregar peso, pesava na mente da família. Por ser o
único com um motivo a mais para entrar no jogo, guardou para si a experiência, afirmou-lhes
que a loucura era uma doença sem cura, e curou a si próprio com as estórias que
ouvia nas tardes em que se acomodava na poltrona e deixava o calor do café suar
a cavidade que escorregava do nariz.
Nada
poderia ser feito daquele homem que já havia feito tudo. Desenhou o próprio mundo e deixou a porta em
branco para qualquer um que, num simples traçado, viesse a construir uma porta.
E calava-se diante do desespero de nunca
ser encontrado.
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