terça-feira, 19 de junho de 2012

Pés, caminhem!


Quem era aquele humano que se postava ali, diante de mim, como alguém que nunca esteve? Eu me renunciava a pergunta que me incomodava.
Era como se sua mente nunca carregasse um pensamento que atravessasse imagens, e eu nunca saberia o que seus olhos encaravam, se a cadeira em sua frente, os parafusos que seus dedos desenhavam, ou a cor azul desbotada.
E minha mente fantasiosa se limitava em não invadir seu espaço em branco, já que lhe era acusada loucura sem causa e sem remédio em cada vez que tentava descobrir aquilo que ele chamava de amor.
E por pensar demais, eu me fazia assim – encurralada. Ele havia me pego em voo como um pássaro, e me transformado num avião. Impediu-me de sentir o vento a cada bater de asas, e eu jazia triste pelos cantos em sua presença.
Então, sua voz por findou em dizer-me algo: Você não tem expressão alguma.
Agora vejo que minhas expressões ficaram numa máscara de palhaço d’uma noite passada, e de lá não saíram por medo ou numa fuga de não encontrarem casa em meu rosto.
Se nem meu sono me cabe, como caberá o vazio conformado de outro?
Não se paga imposto para morar em si mesmo. Nem se recebe de fora.


Não desisto para fugir de ti, desisto para não fugir de mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário