Quem era aquele humano que se postava ali, diante de mim, como alguém que nunca esteve? Eu me renunciava a pergunta que me incomodava.Era como se sua mente nunca carregasse um pensamento que atravessasse imagens, e eu nunca saberia o que seus olhos encaravam, se a cadeira em sua frente, os parafusos que seus dedos desenhavam, ou a cor azul desbotada.E minha mente fantasiosa se limitava em não invadir seu espaço em branco, já que lhe era acusada loucura sem causa e sem remédio em cada vez que tentava descobrir aquilo que ele chamava de amor.E por pensar demais, eu me fazia assim – encurralada. Ele havia me pego em voo como um pássaro, e me transformado num avião. Impediu-me de sentir o vento a cada bater de asas, e eu jazia triste pelos cantos em sua presença.Então, sua voz por findou em dizer-me algo: Você não tem expressão alguma.Agora vejo que minhas expressões ficaram numa máscara de palhaço d’uma noite passada, e de lá não saíram por medo ou numa fuga de não encontrarem casa em meu rosto.Se nem meu sono me cabe, como caberá o vazio conformado de outro?Não se paga imposto para morar em si mesmo. Nem se recebe de fora.Não desisto para fugir de ti, desisto para não fugir de mim.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Pés, caminhem!
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