Infectaram-se pelo limite do tempo. Que mal lhe pergunte, onde guardam a face de dor que se esconde por trás do assassino e do assassinado? É tudo que de vocês espero, a única expressão espontânea que sei que carregam com o corpo solto e mente sem alongamento.Escovaram os cílios e ensebaram os cabelos num disfarce egocêntrico de quem não sabe se esconder. Pois não me surpreendem, e de tão fraco o risco já me exponho.Caminhe até mim, vulto mascarado. Não me engana os olhos, são só tuas ilusões. Vejo que és espelho cercado de outros mais, e que vossa diversão é o reflexo de um passo torto e igual que se estende por entre as ruas deixando o lixo como rastro. Vejo seus olhos estralados acidentando a visão, enquanto os meus vendados contam a história toda, desde a face suando até as marcas de unhas e dentes em pescoços de noites passadas. Desenho-os na última folha em branco de um caderno adormecido na gaveta, para então jogá-lo à lareira e ver a fumaça preta acinzentando um branco até desaparecer.Permita que minha imaginação os leve agora ao primeiro grito que rasgou o ar e nem se lembram, ao choro de uma criança conhecendo a própria garganta e lamentando por uma última vez uma história passada a não ser lembrada mais. Então dilatem o som do ar de pulmões empoeirados, e recitem tudo aquilo que tem vivido como alguém que canta um hino, num choque entre as mãos e o peito, mostrando a estimada linha que tem costurado seus dias até aqui. Esvaziem as lágrimas de água velha e podre reservada para um choro falso, e deixem a fragilidade do novo voltar a pulsar. Emprestem-me os olhos. Emprestem-se os olhos. Precisamos agora e para sempre das histórias que se escreverão com essas pupilas limpas.Escrevo-te, Humano, a fim de falar-nos. De dizer-nos algo que ultrapasse o sentido e alcance a ação, sem pensar. De encontrar outras para minha coleção de expressões espontâneas. Porque não as tenho visto. Porque, ou meu sentir já não é aguçado, ou já não provocamos mais os sentidos, já que tudo é repetição e ensaio.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Ao distante amigo - Humano
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