Dizem que a mente tem o poder de
concretizar situações
E no deleite de nossos corpos, que
eram fotografados pelas luzes coloridas, já não cabia um abraço. Os braços foram
estendidos para distanciar o acúmulo de desejos que se escondiam. E eram tão
secos e frios quando se moldavam em aconchego, que ninguém descobriria - por
mais que soubéssemos como trocar todos os braços e todas as pernas e todos os
corpos de lugar para uma sensação perfeita e um desfecho mais aberto, como uma
hora estendida dos segundos que seguem à descida de uma montanha russa.
Quando a música acaba, a cena nos
despede sem permissão, e nossos olhos entregam o que não findamos. Eis nosso
desastre e nossa fuga – não concluir o ato que como num ciclo pertenceu-nos
aqui e agora, e não seria de outro jeito, e não deixaríamos de esperar que
assim fosse.
Tuas mãos apontaram-me feito um
sussurro quando tudo já silenciado.Não
me toque, não me toque outra vez porque o mundo não é nosso. Não somos feitos
de um corpo que esfarela. E essa ideia de que ser é estar quase nunca nos
convém, e ainda menos quando vejo teu casaco agasalhando a crueza de um corpo
nu que já não é feito d’outro, mas por outro. E que tua aura é tão grande sobre
a dele, que não se vê mais nada por aí, e ficamos vazios por aqui, com a alma
solúvel e um desencanto escancarado.
E num basta estaremos distantes
outra vez, como se mesmo quiséssemos. Desfaz-se aqui um castelo de poeira construído
por uma tempestade de areia. Que o vento leve tudo aos ares e não nos deixe
ressecar. E o sol há de queimar minha pele, corar a palidez natural e decorar
feito piso velho, até que numa outra volta talvez voltemos a dividir um mesmo
tempo.
Agora as estrelas pedem que as
siga, e que se encontre num lado oposto ao seu mundo para poder ver as luzes
que deixou para trás e que guardarão seu caminho de volta, num sempre que talvez
nem exista, assim como o pecado, ou a certeza de um anseio.
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