Se eu não pertencesse a tal silencio não ouviria esses passos mornos se aproximando. Os mesmos passos mornos, dos mesmos pés que eu beijava enquanto chovia. Deixava marcas pelo carpete de madeira, e eu seguia, sentindo as paredes e esperando ver a silhueta de seu corpo em qualquer sombra que não fosse espelho ou ilusão. O cheiro se espalhava pela casa como gelo em água quente, e eu já me rastejava atrás da menor das partes que pudesse ser sua. Abri as portas e lá fora chovia tanto quanto aquele dia meu e seu. Tudo estava de volta em seu lugar, até a lona que caía do telhado deixando espaço livre de qualquer gota d'água e nos dava calafrios por sentir frio ou qualquer outra coisa. E era lá que voce estava.Eu andava pela chuva, a grama molhada fazia eu me sentir vivo outra vez, e como era boa essa sensação, ser vivo. Mas meus passos não te alcançavam, por mais que eu andasse, por mais que eu corresse, voce estava lá e não me via. Meus pés se desfizeram e eu corria de joelhos, e assim meu corpo inteiro já se misturava com a água da chuva, mas eu me movimentava, me forçava a te encontrar, pois eu te via, corri até a última gota.Um clarão de cegar os olhos suspendeu aquele momento, então eu estava em pé, na cama, escondido feito cabana com as cobertas, as janelas se escancaravam quase gritando pra que eu fosse sentir o sol. Era tão quente e seco, sem qualquer sinal de chuva, sem qualquer sinal de voce.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Um conto daqueles engavetados faz tempo
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