terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Respirar

Cheiro de fumaça, desgraça no ar. Não adianta, voce nunca tropeça sozinho, sempre tem de ter alguém por perto. Me sinto um poço com fundo, tão raso, rente ao chão. E é por cair que agora observo minhas mãos apoiando um fardo. É isso. Um fardo. As veias vão ligando cada peça e não sei qual se fere mais, coração ou cérebro. Um pulsa, outro reage. Reage. É chegada a hora de reagir. Re-agir. Agir. Levantar e correr, até o ar acabar. Esse é o erro, correr. Porque o ar acaba. Só que a gente só percebe depois, quando está sem folego e tem um abismo bem a frente. Aí voce para, põe as mãos nos joelhos e olha pra baixo, e continua errando. O bom é quando voce se joga e cai na realidade, levanta e sai andando. Cair em pé e insistir em correr é besteira, mas vá. Dizer isso a alguém. Disse isso pra mim, mas não acreditei. Corri mais rápido ainda, mais persistente, mais confiante, na queda fiz força pra que as pernas continuassem a correr. Mas, meu bem, o ar é mais forte. Por que custa tanto perceber? Respira, conta até tres, ou cento e vinte. Vá dar uma volta e tentar convencer esse apressado que voce gosta mesmo é de ser andante. De observar, sentir, cheirar. Talvez seja isso que a vida ensina, a andar. Tão simples, mas a gente pensa que aprendeu logo no começo da vida. A verdade é que a gente pensa muito

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