Os vaga-lumes incendeiam a água a cercar-nos, será que mais alguém os vê?
É distante meu mundo agora, mas há uma ponte, sempre há. Os mapas foram entregues, sinto as mãos que deslizam-se tentando decifrar-lhes, correm junto ao sangue em minhas veias.
Lutamos desesperadamente para agir sem propósito, eu corpo, eu mente. Desviei das perguntas, mas elas não se afogam onde já não podem nadar, perdi os remos. Será impossível? Está acontecendo ou é mais um fruto de minha árvore indesejada?
Como planta-se a verdade? Como planta-se a verdade do desconhecido? Como planta-se o plural singularmente?
Enquanto tropeço em sentidos a voz da indireta diz-me diretamente para enfrentar os medos com doçura. Queria dizer-lhe e aos sete ventos que o medo deve ter medo de mim agora, pois não o senti. Busquei-o para motivar meu estado, sem encontrar. E alguém pergunta 'na ausência do medo, quem somos nós?', as respostas imendam-se em mais interrogações... Clarisse, a menina cega, disse às paredes "por que me surpreendes com meus segredos sem contar-me se pode senti-los também?"
O sol mais uma vez nasce no leste, enquanto velado no oeste. Cinquenta e nove dias depois a borboleta faz pose para seu último movimento. Posso ouvi-los, com a intensidade de mãos suadas deslizando sobre a mesa. Ouço a cabeça repousando no travesseiro com pensamentos silenciosos cantando a noite para buscar o sono.
Será impossível? Está acontecendo ou é mais um fruto de minha árvore indesejada?
E denovo. E denovo.
{Wandinha conhecia o medo}
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A tela das interrogações
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