Um confronto sem grandes surpresas dessa vez. Despiu-me a face e num golpe de infortúnio alcançamos a compreensão. Os movimentos são sussurados aos meus ouvidos alcançando vazios que eu desconhecia. Permito-me então, a lucidez transpassada, vagamente anormal, que me dá braços para alcançar-te. Teus olhos me possuem há tempos. Tempos esses que guardam nossa solidão, mesmo quando rarefeita. Nossos corpos com peso sustentado imploram leveza para sua unção. De repente seja mais um de meus delírios mal alimentados, que vivem gritando de fome. De repente eu ensurdeça e emudeça de uma só vez, por adentrar o estreito túnel que olhadelas invasoras me oferecem. Ou, num passo adiantado, tropeço em algo menos real e me esqueço completamente do quanto me inebriavam teus olhos tão pecavelmente puros. Faremos segredo de nossos momentos, irei bebe-los como inspiração.
Eu diria, mergulhe comigo nessa música, sinta o ar fresco que sai quente por minha boca agora. Mas não compartilhamos nosso segredo, e talvez nem devemos faze-lo.
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