domingo, 6 de maio de 2012

Não importa-me com quem andas, diga-me quem és.

Qual é tua idade, meu caro? Ouvi dizer que era ela quem mostraria-me quem tu és. Por que se escondes de mim? Mostre-me tua jovem face que já perdeu-se da inocencia e ainda assim és doce. Buscar-te-ia onde a vida é falha e os sorrisos não brincam no acaso, se me permitisse adentrar teu vago espaço tumultuado, acender as luzes e levar meu ar às tuas janelas fechadas.
Ouvi um pobre delirar nas ruas de uma cidade adormecida. Dizia ele possuir um cavalo quando empurrava um carrinho de mão cheio de livros.
Pobre criança, durma antes que vejam que teu cavalo pode voar. Os segredos são feitos para que não sejam roubados. Derrame teu choro em meu leito, pertença-me por um instante para que eu lhe mostre por onde desistirá de sair.
Estamos no centro da ciranda, a roda faz cantar e tua luz não me mostra, só aquece.
O palhaço saltou em minha direção , mas a donzela já havia se apaixonado. Amor jovem, traz o sumo da laranja entre os dentes. Diga-me o porque me trazes a esta estrada onde quero saltar e os pés ficam presos ao chão, o porque desse grude que se faz geléia, cimento, massa de pão. Desejo saltar agora, mas preciso que limpe-se  dessa sujeira e descubra que são os teus pés, não os meus. Fui livre e voltei para ver uma mão estendida.
Óh, não cresça criança, não sufoque-se do tempo, não me queira quando grande, nossa altura atrapalha o pensar, que nos fazia imensos.
Subo agora, no telhado. Deixo minhas asas na grama para ver o mundo d'outro jeito. Não menos meu, apenas onde eu possa tentar alcançar-lhes. 

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