Depoimento de alguém perdido
Dezessete cacos cravados, alguém nasceu com o rabinho totalmente oposto à lua, certo?
Desmemoriadamente tapou os olhos e me sorriu como se acreditasse na felicidade. Era um dia de sol e uma cena típica de filmes modernos. Ela rodava sua saia e me olhava, inconscientemente achava que pertencia a este lugar.
Como bom sujeito que sou, fui fazer-lhe as honras da casa. Levei-a ao mundo que digo ser meu para evitar conflitos. Andamos por onde as pessoas fingem sofrimento para motivar a vida, ela ficara fascinada e me pedira para mostrar-lhe mais.
Não é de meu costume dar tal liberdade às pessoas, mas já era tarde para pensar, eu já havia aberto a porta, ela subia as escadas. Seus olhos vazavam feito piscina furada quando depararam-se com a vista, e eu só quis fugir. Talvez por não saber nadar, talvez por nunca ter visto alguém ali, ou era só o medo que finalmente me alcançara sem cumprimento, mostrando-me alguém soltar o que havia dentro de mim.
Corri. Vim parar neste deserto cheio de corpos. É a primeira vez que noto que eles falam mesmo sem pulsação. Depois de sentir-me morto por tanto tempo, sinto que sou o único com vida neste lugar. Está amanhecendo, perdi as contas de que dia ou horas são, minha ultima esperança é ouvir um coração batendo.
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