O reflexo embaçado era tão belo, que então constrangedor. O silêncio preenchia o espaço feito um corpo caindo abruptamente na neve. E a fumaça de ar frio tinha voz. Uma voz que tranquilamente chamava pelo nome.Eu estava lá. E já não temia o medo, nem tremia. Deixava-me levar sem cogitar fuga. Foi quando vi aquela pele branca e nua, derretendo feito um cubo de gelo. O som rasgava qualquer resquício de um vento mudo, e congelou meus olhos.O movimento parou. Os olhos estralados derrubavam lágrimas que eu não conseguia ver, mas sentia. A cabeça era leve como um papel voando numa tempestade.Mesmo distante, eu sentia o toque involuntário daquele corpo, como estar vagando no breu de uma cidade sem energia.Não me lembro das nuvens, que certamente uniam-se a um centro escuro. Não lembro se eram árvores, ou um deserto que me envolvia naquele instante. Nem ao menos sei se eu era uma estrutura viva, por não me sentir como tal. Foi quando corri em direção àquele corpo - não havia ar por não haver pulmões. Fui me encharcando daquela cena, mergulhando, e quando abri os braços, descobri – sempre estive lá. Era tão outro quanto eu. A água endurecia meus membros, espalhava meus cabelos e fazia-me um ser dissolvido.Restaram essas gotas de chuva que são meus pensamentos, liberando a água de um corpo afogado que molha tudo enquanto é vida por este lugar.
sábado, 22 de setembro de 2012
Memória Efêmera
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