Às vezes o navio permanecia décadas afundado sob as impressões e
energias do momento pausado em gritos e no silêncio de mentes entre o ápice e o
descanso. A música continuava tocando, os corpos se reverberando e os desejos
que ficam no ar impregnavam nos cavos da madeira feito musgo. Eram mudas e controláveis
as cenas no tempo embaixo d’água.
Às vezes o fogo tomava-lhe até desfazer a vida para então cessar,
deixando rastros de dentes podres, roupas velhas e redes de pesca.
Às vezes a explosão colidia a ganância e o medo tirando-lhes o
nome e o paladar, onde o insípido não chamava, só faiscava ao salto e apagava
na queda em ar já não livre.
Desta vez as causas eram desconhecidas. O fogo queimava seus
remanescentes, seus eixos se chocavam com os de um outrem inóspito e a água
cobria-o impedindo, não a entrada, mas a saída do oxigênio, onde seu interior
inflava sem explodir.
O campo de visão era inexato e os olhos caminhavam lentos, longe
do corpo de madeira. Distanciavam-se à medida que acreditavam ser uma coisa só
ou nada, ou em nadar em uma coisa só. A correnteza roubou-lhe os movimentos.
..e era possível ver de tão real! =)
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